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23
out
10

mona dorf

E nessa segunda-feira, dia 25, a jornalista Mona Dorf lançará “Autores e Ideias”, uma coletânea de entrevistas, algumas das centenas que ela fez para o programa Letras & Leituras da Rádio Eldorado. Fico honrada por estar entre amigos e autores que tanto admiro. Estarei lá, pirilampa, atrás do vinho branco.

18
out
10

Sesc Rio + Mesa do Autor

Terça, dia 19, participarei da Segunda Festa Literária da Escola SESC no Rio de Janeiro, às 11h00, ao lado dos autores Nelson de Oliveira e Luiz Ruffato.

Quarta, dia 20 de outubro, estarei na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, no evento Mesa do Autor com Lunna Guedes, Rudinei Borges e mediação de Rodrigo Capella. Produção de Francy´s Oliva.


08
out
10

revista gloss

Outro dia um preso francês matou o companheiro de cela, abriu seu corpo, tirou o pulmão, cortou em cubos e fez acebolado num fogão portátil. Comeu, evidentemente. Entre nós, o caso Bruno dispensa apresentações. Em São Paulo, assaltantes dão tiro nas vítimas para que o policial tenha de socorrê-las e não possa ir atrás do capeta. Nessa trama, fica difícil a atriz Lindsay Lohan chocar o leitor com uma breve estada no xadrez porque dirigia bêbada e nem dá tempo para comemorar a surra que a amante de Sorocaba levou da melhor amiga. O problema do escândalo, notícia inclusa, é que ele é um texto seguido de foto. Batata frita acompanha. Encândalo só revolta, enfurece, move a alma durante a transmissão da notícia. Nossa sensibilidade está embotada, mas não só porque escândalos são muitos e se autoanulam pela abundância. Os olhos ficaram saturados pela apresentação da notícia em capítulos, ao vivo. Os escândalos parecem iguais aos próximos que virão porque a linguagem da TV nos afasta do drama real. Mais: quando o escândalo é seu, caso ele não seja reportado e distribuído em rede, o luto não começa, a vergonha não aflora, as desculpas nãos podem ser pedidas. Isso é um texto, epitáfio é um texto, bula é um texto, julgamento é um texto e sua vida só vale se for um texto. O fato está ameaçado pela palavra. Escândalo para valer é indizível e privado, ferindo a nuca ou o pulso – onde doer mais.

Texto publicado na edição de setembro da Gloss, uma coluna no final da revista onde a cada mês um colaborador diferente é convidado. Edição do Ademir Corrêa.

18
set
10

Queridos, darei o módulo Criação literária e blogues dentro do Curso Prática de Criação Literária, no Espaço Terracota.

Sobre o Curso Prática de Criação Literária, do site da Terracota:

(…) A coordenação do curso é realizada pelo escritor e doutor em literatura Nelson de Oliveira e pelo editor e professor Claudio Brites. O curso é realizado no espaço cultural da Terracota Editora e certificado pela Universidade Cruzeiro do Sul.

O PCL tem por objetivo ser a primeira etapa na formação de novos escritores, por meio da prática cotidiana dos diversos gêneros em prosa e verso, e também uma alternativa de especialização para graduados interessados em se aprofundar nas questões que envolvem a criação literária.

O método de trabalho, apesar de muito simples, é bastante incomum no mundo acadêmico: aprender a escrever contos, crônicas, romances, peças, roteiros, ensaios e poemas, escrevendo. Escrevendo, reescrevendo, lendo e discutindo demoradamente, com o professor e o grupo. As questões teóricas mais relevantes surgem dessa prática cotidiana da escritura e da leitura dos textos produzidos.

Os encontros são divididos em aulas em grupo e atendimentos individuais, nos quais os professores dão orientações específicas para o projeto literário dos alunos.

(…)

Ao final do curso, será publicada uma coletânea com os melhores textos dos alunos pela Terracota Editora. Sem custo adicional.

Você pode cursar todos os módulos ou algum de sua escolha individualmente. Ei-los:

Módulos de criação

Prática de criação de crônicas +
Luís Marra

Prática de criação de contos +
Marcelino Freire

Prática de criação de obras infanto-juvenis +
Marcelo Maluf

Prática de criação de roteiros +
Marne Lucio Guedes

Prática de criação de novelas e romances +
Nelson de Oliveira

Prática de criação de poemas +
Edson Cruz

Prática de criação para teatro +
Cláudia Vasconcelos

.

Módulos acadêmicos

Didática do Ensino Superior
Carlos Andrade

Metodologia de pesquisa e escrita acadêmica
Claudio Brites

Revisão e preparação de textos
Nelson de Oliveira

Orientação para o trabalho de conclusão de curso
Claudio Brites e Nelson de Oliveira

O módulo blogue será:

De 7/10 a 25/11, quintas, das 19h30 às 22h30.

Onde:

Espaço Cultural Terracota.

Avenida Lins de Vasconcelos, 1886 – Aclimação

Tel: 2645-0549

Café acompanha.

14
set
10

imagem fiel

De vez em quando eu brinco de fotógrafa e de boneca. Já cliquei algumas amigas: Bebel, Adrienne Myrtes e a mulher do meu primo Beto, a Deyse, grávida de oito meses. Vou postar aqui algumas imagens, eu as deixei como acho que elas são.

Maria Isabel Barros Gonçalves, a Bebel

Atriz de cinema.

Atriz de teatro.

Atriz de seriado.

Atriz de musical.

Adrienne Myrtes

A Adrienne tem planos a longo prazo.

Que ela não tira um minuto de sua mira.

É uma mulher rara, ela não tem pressa.

Nem tente, jamais alguém tirou a Adrienne do sério.

Deyse

A Deyse é uma índia, das matas de capim doce. Ela perdeu a mãe durante a gestação, esse sorriso é uma aurora.

Ela queria essa foto de todo jeito, já agasalhando o menino antes de nascer.

No pé de alecrim, para perfumar a água amniótica.

A vitória do corpo.

30
ago
10

Anotações do caderno escolar

Estou no quarto período de Filosofia. Quanto chão pela frente, quanto horizonte vislumbro daqui e que jamais alcançarei, e jamais teria sabido de sua infinitude não tivesse vindo bisbilhotar. Nos três primeiros períodos, fiz de seis a oito disciplinas, o que me deixou exausta e ao mesmo tempo excitada. Nesse semestre, resolvi pegar leve para dar conta dos compromissos fora da faculdade. Estou fazendo apenas duas disciplinas: Estética e Teoria do Conhecimento. Em Estética, tenho aula com o húngaro Peter Pál Pelbart, e em Teoria do Conhecimento com o uruguaio Mario Ariel González Porta. Com o Peter, estamos vendo Roland Barthes. Com Mário, estudamos Kant e afluentes. Peter, que foi aluno de Deleuze e de Foucault, no primeiro dia de aula pediu-nos que o ajudássemos na manutenção do ambiente, isso significaria manter a sala em estado de kairós. Ou seja, um estado que propiciasse o surgimento do imprevisto, que a coisa certa no momento certo rompesse a estrutura rígida da sala de aula. Quase ninguém entendeu isso, como já passei por coisa parecida em sessões de delírio religioso, basicamente estou em casa. Já com o Porta, o delírio ocorre na caudalosa exposição da história da filosofia, do contexto kantiano, do iluminismo racional, passando pelas físicas de Descartes, Leibniz e Newton. Saio dessa aula como se tivesse participado de um triátlon. Com Peter, trata-se de uma espécie de oficina de filosofia, uma busca pela percepção de uma ou outra palavra que possa alimentar um discurso ou um pensamento, é a pescaria do dia. Professor, a linguagem é construção humana ou algo transcendente, que se pode acessar? Ele responde: não importa a origem, o problema é que o homem não a domina. Com Porta, uma rede é jogada no passado da lógica e devemos contar e catalogar peixe por peixe. Professor, transcendental é a nova metafísica? Ele responde: transcendental do ponto de vista de quem? Juro, minha vontade é sair de uma sala de aula e entrar em outra, ininterruptamente. Em Estética, estamos no ponto onde Barthes diz que não há nada fora da linguagem, a língua tem um caráter fascista, sendo a literatura um afrouxamento dessa tirania dentro da própria linguagem. Em Teoria do Conhecimento, a física mecanicista de Descartes versus a física dinamicista de Leibniz. Para o primeiro, corpo é extensão, não há espaço vazio e sim corpúsculos que se tocam, há um corpo/extensão matematizável. Para o segundo, o corpo é um fenômeno da força, e não substância em si. Newton deixa os dois falando sozinhos e não se pergunta pela razão do movimento ou da força, ele passa simplesmente a descrever os fenômenos. Onde Kant entra na cena? É a promessa do Porta para a próxima aula. Minha ansiedade não fica só aí, sempre duvido de que eu realmente tenha entendido qualquer desses pontos filosóficos. Não confio, posso perfeitamente trocar tudo, embananar as palavras fiéis aos conceitos. Não importa, quero mais. Outro dia ouvi um termo ótimo, na ocasião de um simpósio sobre filosofia grega, um pesquisador disse, em crítica aberta a um raciocínio ali exposto: não acha que esse ponto de vista  é muita generosidade hermenêutica? Ou seja, o senhor não acha que derrapou na maionese? Escorregar no gel da interpretação está previsto no código dos salões, ainda que não seja aplaudido. Aliás, esses simpósios servem para que você descubra o que está fazendo ali, no meu caso, correr léguas dos convescotes, que não são diferentes de qualquer evento formal e petrificante. Não há nada melhor que uma boa sala de aula, sentar-se lá na frente e entregar minhas maçãs aos mestres, com eles devidamente à vontade e não colocados à prova em discussões vaidosas. Mas e a literatura? Problema é que virou um esforço danado sair desse ambiente para o da escrita literária, no recanto do lar, onde meu jeito de falar e escrever é uma prisão perpétua. Sempre eu mesma, ou a partir da minha voz. Estou na fase da escuta, não da fala e da escrita. Quando leio literatura, tenho o vício de ator que assiste ao filme pensando na grua utilizada na cena. Lendo filosofia, não faço ideia de onde surgiu a câmera, tão densa é sua estrutura. Fazia tempo que não me perdia, ainda me parece perigoso pensar sobre o pensamento, outro problema é a validade desse pensar que se diz fora do pensamento. Defina validade, defina pensar, defina fora, defina definir, defina definir o definir. Jogo de espelho ao infinito brabíssimo. Vez ou outra, um professor adoece, sei de um ótimo aluno que teve estafa mental e outros que se perderam em labirintos. Não é à toa que a filosofia já esteve fechada em círculos secretos, onde se preparava o iniciante por anos antes que lhe fosse passada a ideia do conhecimento. Sentidos provisórios na busca dos definitivos, ou sentidos provisórios a priori na busca do próprio sentido. Esse rito, sem ritual, tem me deixado deprimida. Mas recuso resgate, vou cair um pouco mais nessa lama. Ou a filosofia é tudo isso, ou é mais um gênero literário (não que isso a diminua, ao contrário).

22
ago
10

edições sesc sp

O SESC, num projeto de acessibilidade e circulação cultural, mandou dois livros da Edições SESC SP para alguns escritores. A ideia é que cada um comente a experiência de leitura de um livro e coloque para circular o outro.

Recebi o belíssimo exemplar de Aldemir Martins – O viajante amigo. Trata-se da obra do artista plástico Aldemir Martins que se expressou através de gravuras, pinturas, desenhos, cerâmicas, desenhos industriais, embalagens a até vinhetas televisivas. Aldemir nasceu em 1922 no Vale do Cariri, filho de uma descendente dos tapuias e de um funcionário público. Já em São Paulo,  Aldemir fez curso com Poty, ele mesmo, o gigante que ilustrou as primeiras edições de Guimarães Rosa.  A obra de Aldemir viajou o mundo. Em 2006, ano de sua morte, o SESC expôs seu trabalho sob a curadoria de Jacob Klintowitz, que também assina esse belo exemplar.

Botei um pouco de Aldemir Martins na janela, debaixo de sol quente. Olhemos juntos:

O outro volume é o ótimo infanto-juvenil Montanha-russa, escrito por Fernando Bonassi, o livro faz parte da coleção Ópera Urbana, editada pela Cosac Naify.

Ilustração de Jan Limpens. Já devorei e recomendo.

Dentro da proposta de circulação vou passá-lo adiante, pensei na nossa clássica rifa, mas vamos fazer uma coisa mais rápida. O primeiro que comentar leva o Bonassi! Mandarei via Correio para qualquer lugar do Brasil, só me deixar o endereço no email: delfuego@uol.com.br. Para não interromper a roda, quando terminar de ler, passe-o adiante também.

Um, dois, três e já!

18
ago
10

na bienal 2010

No estande do SESC:

CARTOGRAFIA LITERÁRIA , EXPERIÊNCIAS WEBLITERÁRIAS

21/08, sábado, 16h

Participarei do bate-papo com a professora Heloisa Buarque de Hollanda e os escritores Nelson de Oliveira e a poeta Micheliny Verunschk. Mediado pelo querido Edson Cruz.

Vamos?

10
ago
10

ainda o livro

Sei que é enfadonho falar o tempo todo sobre si e das próprias crias, mas é que com Os Malaquias tenho experimentado uma alegria tão inesperada que, bom, vou dividir tudo. Vou colocar aqui algumas leituras de queridos amigos e algumas resenhas.

A primeira resenha que saiu foi de Alex Sens, que também é escritor. Ele me deixou muda com esse texto na Revista Bula, aqui. Logo depois, a Ivana Arruda Leite me rodopiou com suas impressões, aqui. Marcelino Freire tirou minhas pernas:

30.7.10
INCENDIANDO

Del Fuego baixo. Falo: a primeira vez em que bati os olhos. E os ouvidos na Andréa. Era noite de São João. Não lembro se foi naquela ocasião. Em um sarau. Quando ela leu uns textos dela. A voz baixinha. Parecida a de uma boneca sem pilha. Tímida. Em banho-maria. Quem me apresentou a Del Fuego foi a Ivana Arruda Leite. No mesmo dia, ao que parece, conheci a Índigo. Minha memória falhando. Aqui, no pôste abaixo, disse um dia sobre o Joca. Agora, sobre a Andréa. Repararam? Meu blOgue virou um dossiê nostálgico. Porque os dias vão correndo. É nisso que dá viver muito tempo. Caralho! Que turma de amigos fizemos! Cada um no seu parágrafo. É sobre isto que eu quero dizer. Acabei de ler o romance de estreia da Andréa Del Fuego (ela só havia publicado contos), recém-lançado pela Língua Geral. Título: Os Malaquias. Li em minha ida a São João Del Rey. Melhor leitura não haveria. Nas terras de Minas. Como cresceu essa menina! Del Fuego passeia pela vida de uma família. Que se separa. Cada irmão para um lado. Adotado. Pelo mundo. Sei bem disto. Sou caçula de uma penca de nove filhos. Espalhados por aí. Sei, sim. De saudade, ruptura. Del Fuego fez alta literatura. Cheia de humanidade. Tão em falta. Aleluia e ave! Ela traça os deslocamentos. Os desamparos. As esperanças pequenas. Em metáforas bem colhidas. Frases diretas nas feridas. Meu Cristo! Haverá algum crítico de plantão que dê conta do que acabou de fazer a Del Fuego? Um clássico, juro. E esqueçam de que sou amigo dela. Aliás: lembrem-se de que sou amigo dela. Do Joca. Da Ivana. Da Índigo. De tanta gente… Ora essa. Que está aí. Colocando a alma na janela. Sempre na luta. Não se enganem. Todos foram construindo. E ainda estão construindo. A duras penas. Este árduo ofício. Acendendo. E ascendendo, aos poucos. Incendiando. Eta danado! Maravilha e beleza! Parabéns, querida. Pelo grande romance que você fez. E mais não digO. O meu abraço a vocês. Beijos no umbigO. E fui e até a próxima vez.

Já quase sem nada para ser tirado, Indigo manda esse email (ela autorizou que eu o publicasse):

Andrea Del Fuego do Céu:

Ontem à noite terminei o Malaquias e é até difícil dizer o que achei do livro, de tão impressionada que eu fiquei.

Algumas sensações:

Parecia que não era uma autora de literatura brasileira contemporânea escrevendo. Era outra coisa. A sensação era de estar lendo um clássico. Que não tem a ver com Brasil necessariamente e nem com a literatura atual. Era tipo, Gabriel Garcia Marquez. Um negócio pronto, completo, alcançando a perfeição.

Babei no domínio de escrita que vc mostra nesse livro. Coisa de escritora consagrada, que sabe o que está fazendo, como se já tivesse escrito 50 livros antes.

E aquela passagem em que Nico cai no coador. Aquilo chega do nada. Aquilo é realismo mágico feito como se deve, com competência e sem cair em clichês.

Ah, é tudo tão demais no seu livro que eu fiquei muito, muito orgulhosa de ser sua amiga. Tipo orgulho de parente. Tenho a impressão que tudo o que você escreveu antes era ensaio para Malaquias.

É livro para ganhar prêmio. E ganhará!

Pra mim foi um livro inspirador. Desses que faz com que a gente tenha vontade de escrever melhor, ir mais longe.

Ah, depois no bar eu falo mais. E quero ouvir de você também.

Beijinhos, Índigo

Tá, Andréa, mas eles são seus amigos. Olhe, eu demorei oito livros para ouvir isso deles, são os leitores mais exigentes que eu conheço.

No jornal Diário do Grande ABC, pela jornalista Ângela Corrêa, aqui.

No jornal Estado de Minas, pelo escritor Carlos Herculano Lopes:

No Guia da Folha de São Paulo, o escritor Marçal Aquino também avalia:

No Jornal do Brasil, a também escritora Ieda Magri faz uma leitura tão detalhada que descobri aspectos do texto que nem desconfiava, aqui.

Além das mensagens carinhosas das queridas Maria José Silveira, Maria Adelaide Amaral, Livia Garcia-Roza, Carola Medina e de quem primeiro leu os originais, o amado Xico Santos.

Pronto, não tocarei mais no assunto, será?

25
jul
10

os cenários reais

Os Malaquias é baseado na minha história familiar e se passa na zona rural de Carmo do Rio Claro (ainda que eu não diga seu nome), sul de Minas Gerais.

Construção da igreja matriz da pequena cidade. No romance, a cidade começa com a chegada da hidrelétrica.

A praça central e o coreto de onde o personagem Timóteo faz revelações ao povo.

A cidade aos pés da Serra da Tormenta, no livro, é onde fica o colégio das francesas.




delfuego@uol.com.br

Eu voo com um peteleco.

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