Archive for the 'meus livros' Category

05
mar
11

bastidores de Os Malaquias

Escrevi sobre a feitura de Os Malaquias a pedido do ótimo suplemento cultural PERNAMBUCO.

Um passado de cujo presente eu faço parte

 

Os Malaquias é meu primeiro romance. Ele não surgiu de uma passagem natural do conto ao romance ou de um compromisso literário, um desafio de linguagem como me propus com os livros anteriores. O livro surgiu no seio familiar, uma cobrança interna de outra comarca, a da herança. Comecei a escrever Os Malaquias logo depois que minha avó morreu, no inverno de 2003. Meses depois, fui a Minas Gerais, onde ela vivia, enfrentar a ausência da grande mãe. Numa tarde, percorri com minhas tias a região de Serra Morena, um vale deslumbrante que fica atrás do bairro Buracão, onde minha avó criou os filhos. Voltei certa de que escreveria um romance chamado Serra Morena. O nome ficou na cabeça por bom tempo até que eu tomasse fôlego. A história se iniciaria no acidente natural que vitimou meus bisavós, deixando orfãos os filhos, entre eles, meu avô. Ninguém da família comentava o caso e, numa tentativa de saber mais, meu avô ficou fragilizado e desisti de especulá-lo, era uma memória a que eu não teria acesso. Cada vez que escrevia uma página era tomada por uma eletricidade, inventar um passado de cujo presente faço parte. Da cena real, a tempestade, eu inventaria o segredo dos sobreviventes. Um estado de ficção, onde se suspende a lógica da morte, por exemplo. Passaria uma mão de tinta em fatos, escreveria uma teoria provisória. A pretensão poética e o realismo fantástico, presentes no texto, foram amortecedores emocionais, já que eu estava me olhando no espelho, ocasião em que damos o melhor ângulo. Aos poucos, fui percebendo o que valia a pena e o que servia apenas como andaime para a construção do edifício. A questão, claro, era diferenciar o andaime da parede. Assim que terminei o primeiro tratamento, enlouqueci de emoção, realizada por ter escrito tantas páginas, por chamar aquelas folhas de romance. Não durou muito, fiquei insegura, qualquer peteleco me abalaria. Era um erro achar que a primeira versão seria a definitiva. Abandonei o Serra Morena e fui escrever alguns livros de contos e juvenis. Todos encontraram um caminho, o que me deu uma certeza: cada livro tem seu limite, seus problemas e sua estrada, feito uma pessoa que acaba de chegar ao mundo. Abri a gaveta num verão de 2007 para reler o Serra Morena, já distante emocionalmente da realidade familiar e mais próxima de um compromisso literário. Armada com facão, cortei o matagal, tudo o que camuflava a força da trama. Com a distância, pude perceber que havia sim um romance debaixo daquela montanha de metáforas. Aliás, não consigo me livrar delas nem nesse texto objetivo. Mas para cortar sem dó, negociei, já que a ficção fantástica inundaria de vez o livro, eu manteria os nomes reais. Nico, Júlia e Antônio são os nomes do meu avô e tios-avós. Assim que fiz uma boa reforma no texto, meu tio-avô Antônio faleceu, justamente a presença mais delicada no livro. Toda aquela distância diminuiu em segundos, fiquei novamente diante de um texto tão próximo que meu julgamento ficou abalado e acrítico. Não era só isso, Nico e Júlia são vivos. Júlia, como no livro, teve que voltar à Serra Morena e morar com o irmão. Soube que minha tia caçula leu trechos para o meu avô, ele ouviu em silêncio. Outra tia leu o original em algumas horas, foi seu primeiro livro aos 40 anos, talvez o último, ela não tem o hábito da leitura. O livro deixou-me em dia com a cobrança de fertilidade, de uma pegada no mundo que ligasse meu passo ao deles. Essa sanfona emocional, claro, não me parece o melhor estado na produção de um romance, produto digno de uma disciplina racional, de um cálculo estético, ou seja, de controle. Tive outra experiência similar, escrevi um infantil baseado numa vivência em um sítio, em Ilhabela, e igualmente mantive os nomes reais dos personagens, mas essa é outra história, o sangue não está envolvido, ainda que o real traga algo palpável como a gratidão e a amizade. Daqui por diante, pretendo sair cada vez mais do real, sem que eu me perca e o leitor perceba. Quando Os Malaquias chegou na editora Língua Geral, ainda não estava em seu ponto maduro, o editor, na época o Eduardo Coelho, disse que o Serra Morena tinha qualidades, mas podia melhorar. Eduardo sugeriu cortes precisos, a cada corte, mais evidente ficava a forma. Primeira mudança foi no título, depois ele enviou para alguns leitores e fizemos inúmeras revisões e versões. Em agosto de 2010, Os Malaquias foi lançado. Com muita alegria, venho recebendo resenhas positivas sobre um trabalho que, no meu universo portátil, é um inventário privado.

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25
fev
11

os malaquias

Na foto, Os Malaquias no blog do Petê Rissatti.

Os  Malaquias em algumas resenhas e recomendações em sites, jornais e blogues:

Daniel Lopes, no Cronópios, aqui.

Mônica Melo na Folha de Pernambuco, aqui.

Goimar Dantas no blogue Poesia Potiguar, aqui.

Andréa Ribeiro no Jornal Rascunho:

continuação:

Leo Ricino no Recanto das Letras, aqui.

Rosaly Senra no Quitandas de Minas, aqui.

Petê Rissatti em sua página, aqui.

Cláudio B. Carlos, no Balaio de Letras, postou-se com o livro, aqui.

 

GRACIAS!

10
ago
10

ainda o livro

Sei que é enfadonho falar o tempo todo sobre si e das próprias crias, mas é que com Os Malaquias tenho experimentado uma alegria tão inesperada que, bom, vou dividir tudo. Vou colocar aqui algumas leituras de queridos amigos e algumas resenhas.

A primeira resenha que saiu foi de Alex Sens, que também é escritor. Ele me deixou muda com esse texto na Revista Bula, aqui. Logo depois, a Ivana Arruda Leite me rodopiou com suas impressões, aqui. Marcelino Freire tirou minhas pernas:

30.7.10
INCENDIANDO

Del Fuego baixo. Falo: a primeira vez em que bati os olhos. E os ouvidos na Andréa. Era noite de São João. Não lembro se foi naquela ocasião. Em um sarau. Quando ela leu uns textos dela. A voz baixinha. Parecida a de uma boneca sem pilha. Tímida. Em banho-maria. Quem me apresentou a Del Fuego foi a Ivana Arruda Leite. No mesmo dia, ao que parece, conheci a Índigo. Minha memória falhando. Aqui, no pôste abaixo, disse um dia sobre o Joca. Agora, sobre a Andréa. Repararam? Meu blOgue virou um dossiê nostálgico. Porque os dias vão correndo. É nisso que dá viver muito tempo. Caralho! Que turma de amigos fizemos! Cada um no seu parágrafo. É sobre isto que eu quero dizer. Acabei de ler o romance de estreia da Andréa Del Fuego (ela só havia publicado contos), recém-lançado pela Língua Geral. Título: Os Malaquias. Li em minha ida a São João Del Rey. Melhor leitura não haveria. Nas terras de Minas. Como cresceu essa menina! Del Fuego passeia pela vida de uma família. Que se separa. Cada irmão para um lado. Adotado. Pelo mundo. Sei bem disto. Sou caçula de uma penca de nove filhos. Espalhados por aí. Sei, sim. De saudade, ruptura. Del Fuego fez alta literatura. Cheia de humanidade. Tão em falta. Aleluia e ave! Ela traça os deslocamentos. Os desamparos. As esperanças pequenas. Em metáforas bem colhidas. Frases diretas nas feridas. Meu Cristo! Haverá algum crítico de plantão que dê conta do que acabou de fazer a Del Fuego? Um clássico, juro. E esqueçam de que sou amigo dela. Aliás: lembrem-se de que sou amigo dela. Do Joca. Da Ivana. Da Índigo. De tanta gente… Ora essa. Que está aí. Colocando a alma na janela. Sempre na luta. Não se enganem. Todos foram construindo. E ainda estão construindo. A duras penas. Este árduo ofício. Acendendo. E ascendendo, aos poucos. Incendiando. Eta danado! Maravilha e beleza! Parabéns, querida. Pelo grande romance que você fez. E mais não digO. O meu abraço a vocês. Beijos no umbigO. E fui e até a próxima vez.

Já quase sem nada para ser tirado, Indigo manda esse email (ela autorizou que eu o publicasse):

Andrea Del Fuego do Céu:

Ontem à noite terminei o Malaquias e é até difícil dizer o que achei do livro, de tão impressionada que eu fiquei.

Algumas sensações:

Parecia que não era uma autora de literatura brasileira contemporânea escrevendo. Era outra coisa. A sensação era de estar lendo um clássico. Que não tem a ver com Brasil necessariamente e nem com a literatura atual. Era tipo, Gabriel Garcia Marquez. Um negócio pronto, completo, alcançando a perfeição.

Babei no domínio de escrita que vc mostra nesse livro. Coisa de escritora consagrada, que sabe o que está fazendo, como se já tivesse escrito 50 livros antes.

E aquela passagem em que Nico cai no coador. Aquilo chega do nada. Aquilo é realismo mágico feito como se deve, com competência e sem cair em clichês.

Ah, é tudo tão demais no seu livro que eu fiquei muito, muito orgulhosa de ser sua amiga. Tipo orgulho de parente. Tenho a impressão que tudo o que você escreveu antes era ensaio para Malaquias.

É livro para ganhar prêmio. E ganhará!

Pra mim foi um livro inspirador. Desses que faz com que a gente tenha vontade de escrever melhor, ir mais longe.

Ah, depois no bar eu falo mais. E quero ouvir de você também.

Beijinhos, Índigo

Tá, Andréa, mas eles são seus amigos. Olhe, eu demorei oito livros para ouvir isso deles, são os leitores mais exigentes que eu conheço.

No jornal Diário do Grande ABC, pela jornalista Ângela Corrêa, aqui.

No jornal Estado de Minas, pelo escritor Carlos Herculano Lopes:

No Guia da Folha de São Paulo, o escritor Marçal Aquino também avalia:

No Jornal do Brasil, a também escritora Ieda Magri faz uma leitura tão detalhada que descobri aspectos do texto que nem desconfiava, aqui.

Além das mensagens carinhosas das queridas Maria José Silveira, Maria Adelaide Amaral, Livia Garcia-Roza, Carola Medina e de quem primeiro leu os originais, o amado Xico Santos.

Pronto, não tocarei mais no assunto, será?

25
jul
10

os cenários reais

Os Malaquias é baseado na minha história familiar e se passa na zona rural de Carmo do Rio Claro (ainda que eu não diga seu nome), sul de Minas Gerais.

Construção da igreja matriz da pequena cidade. No romance, a cidade começa com a chegada da hidrelétrica.

A praça central e o coreto de onde o personagem Timóteo faz revelações ao povo.

A cidade aos pés da Serra da Tormenta, no livro, é onde fica o colégio das francesas.

11
jun
10

os malaquias

Acabou de sair da gráfica.

30
mar
10

irmãs de pelúcia

Mais um pouco sobre a inspiração do livro, essa é a cabana da goiabeira do Sítio Santa Seiva: escrevi nesse lugar o Sociedade da Caveira de Cristal, reescrevi Serra Morena que virou Os Malaquias e finalmente Irmãs de Pelúcia que é um retrato do próprio sítio.

27
mar
10

sabe de uma coisa?

Se você olhar para o espaço que há logo depois de seus pés, mais conhecido como o SEU caminho, a literatura se torna uma fonte de alegria e sorte. Como explicar que um texto encontre seu ilustrador perfeito? Foi o que aconteceu com o meu infantil Irmãs de pelúcia, que sairá pela editora Scipione. O ilustrador é o Jean-Claude Alphen, que comete coisas assim:

pirataPelucias

pirata, melhor amigo das irmãs de pelúcia

Esse livro foi inspirado em fatos pra lá de reais, as irmãs de pelúcia existem e moram numa ilha, ei-las:

peluciasfoto




delfuego@uol.com.br

Eu voo com um peteleco.

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