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mar
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bastidores de Os Malaquias

Escrevi sobre a feitura de Os Malaquias a pedido do ótimo suplemento cultural PERNAMBUCO.

Um passado de cujo presente eu faço parte

 

Os Malaquias é meu primeiro romance. Ele não surgiu de uma passagem natural do conto ao romance ou de um compromisso literário, um desafio de linguagem como me propus com os livros anteriores. O livro surgiu no seio familiar, uma cobrança interna de outra comarca, a da herança. Comecei a escrever Os Malaquias logo depois que minha avó morreu, no inverno de 2003. Meses depois, fui a Minas Gerais, onde ela vivia, enfrentar a ausência da grande mãe. Numa tarde, percorri com minhas tias a região de Serra Morena, um vale deslumbrante que fica atrás do bairro Buracão, onde minha avó criou os filhos. Voltei certa de que escreveria um romance chamado Serra Morena. O nome ficou na cabeça por bom tempo até que eu tomasse fôlego. A história se iniciaria no acidente natural que vitimou meus bisavós, deixando orfãos os filhos, entre eles, meu avô. Ninguém da família comentava o caso e, numa tentativa de saber mais, meu avô ficou fragilizado e desisti de especulá-lo, era uma memória a que eu não teria acesso. Cada vez que escrevia uma página era tomada por uma eletricidade, inventar um passado de cujo presente faço parte. Da cena real, a tempestade, eu inventaria o segredo dos sobreviventes. Um estado de ficção, onde se suspende a lógica da morte, por exemplo. Passaria uma mão de tinta em fatos, escreveria uma teoria provisória. A pretensão poética e o realismo fantástico, presentes no texto, foram amortecedores emocionais, já que eu estava me olhando no espelho, ocasião em que damos o melhor ângulo. Aos poucos, fui percebendo o que valia a pena e o que servia apenas como andaime para a construção do edifício. A questão, claro, era diferenciar o andaime da parede. Assim que terminei o primeiro tratamento, enlouqueci de emoção, realizada por ter escrito tantas páginas, por chamar aquelas folhas de romance. Não durou muito, fiquei insegura, qualquer peteleco me abalaria. Era um erro achar que a primeira versão seria a definitiva. Abandonei o Serra Morena e fui escrever alguns livros de contos e juvenis. Todos encontraram um caminho, o que me deu uma certeza: cada livro tem seu limite, seus problemas e sua estrada, feito uma pessoa que acaba de chegar ao mundo. Abri a gaveta num verão de 2007 para reler o Serra Morena, já distante emocionalmente da realidade familiar e mais próxima de um compromisso literário. Armada com facão, cortei o matagal, tudo o que camuflava a força da trama. Com a distância, pude perceber que havia sim um romance debaixo daquela montanha de metáforas. Aliás, não consigo me livrar delas nem nesse texto objetivo. Mas para cortar sem dó, negociei, já que a ficção fantástica inundaria de vez o livro, eu manteria os nomes reais. Nico, Júlia e Antônio são os nomes do meu avô e tios-avós. Assim que fiz uma boa reforma no texto, meu tio-avô Antônio faleceu, justamente a presença mais delicada no livro. Toda aquela distância diminuiu em segundos, fiquei novamente diante de um texto tão próximo que meu julgamento ficou abalado e acrítico. Não era só isso, Nico e Júlia são vivos. Júlia, como no livro, teve que voltar à Serra Morena e morar com o irmão. Soube que minha tia caçula leu trechos para o meu avô, ele ouviu em silêncio. Outra tia leu o original em algumas horas, foi seu primeiro livro aos 40 anos, talvez o último, ela não tem o hábito da leitura. O livro deixou-me em dia com a cobrança de fertilidade, de uma pegada no mundo que ligasse meu passo ao deles. Essa sanfona emocional, claro, não me parece o melhor estado na produção de um romance, produto digno de uma disciplina racional, de um cálculo estético, ou seja, de controle. Tive outra experiência similar, escrevi um infantil baseado numa vivência em um sítio, em Ilhabela, e igualmente mantive os nomes reais dos personagens, mas essa é outra história, o sangue não está envolvido, ainda que o real traga algo palpável como a gratidão e a amizade. Daqui por diante, pretendo sair cada vez mais do real, sem que eu me perca e o leitor perceba. Quando Os Malaquias chegou na editora Língua Geral, ainda não estava em seu ponto maduro, o editor, na época o Eduardo Coelho, disse que o Serra Morena tinha qualidades, mas podia melhorar. Eduardo sugeriu cortes precisos, a cada corte, mais evidente ficava a forma. Primeira mudança foi no título, depois ele enviou para alguns leitores e fizemos inúmeras revisões e versões. Em agosto de 2010, Os Malaquias foi lançado. Com muita alegria, venho recebendo resenhas positivas sobre um trabalho que, no meu universo portátil, é um inventário privado.

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36 Responses to “bastidores de Os Malaquias”


  1. 03/05/2011 às 15:28

    Há uma referência ali a Vila-Matas, ou deliro?
    Andréa, eu estava relutante havia uns bons meses em relação a ler teu livro, que um amigo meu adora, tua delicadeza, até na hora de se defender e defender teu livro, me convenceu. Depois volto e te digo o que aconteceu.

    • 2 andreadelfuego
      03/06/2011 às 12:55

      Hugo, que boa notícia você me dá! Aguardarei suas impressões. Quanto à referência a Vila-Matas, nem percebi, qual seria? Super beijo e gracias!

  2. 03/05/2011 às 21:48

    E escrever é isso mesmo: estar diante do espelho. Mais: é mergulhar no espelho, ir além.

  3. 03/06/2011 às 00:52

    Andréa, você é um gênio! Que bom que não está presa numa garrafa. Beso.

  4. 03/06/2011 às 01:37

    Fiquei com mais vontade de ler.

  5. 9 Alex Sens
    03/06/2011 às 13:02

    O que dizer, Andréa? Acho que ainda não disse tudo o que penso desse livro, mas a releitura é certa, porque cada vez fica melhor, mais íntimo. Quero muito relê-lo! Esse pequeno texto sobre a urdidura d’Os Malaquias só me deixou com mais vontade, e dessa vez será leitura calma, com chá branco e menta, pausa entre os capítulos pra sorver cada gota da sua riquíssima e laboriosa ficção. Um segredo: vou começar a escrever um ensaio sobre literatura contemporânea, a ser publicado numa revista virtual bem bacana de uma galera da USP (aliás, parabéns por ter ido pra lá!), e quem será a ilustre persona mais analisada com lupa e bisturi? haha :)

    Quando sair, te aviso!

    Um beijo chuvoso do sul de Minas.
    Alex Sens

    • 10 andreadelfuego
      03/08/2011 às 17:45

      Alex, você! Aqui está chuvoso também, sul de Minas é uma vontade, saudade que tenho desses vales. Entonces estás cada vez mais nas linhas do ensaio, você faz isso tão bem, com olhar agudo. Muito legal!! Falando em usp, não tem vontade de fazer uma temporada por essas bandas? Beijos e bolinho de chuva.

  6. 03/10/2011 às 14:47

    Oi, Andrea!

    Parabéns pelas inúmeras acolhidas positivas de Os malaquias!! Você merece!!! Adorei saber mais sobre os bastidores do romance (nesse texto aqui do blog). Prossigo indicado o livro pra gregos, troianos e baianos e vou continuar a fazê-lo com a mesma febre que me tomou durante a leitura: a febre da epifania, das grandes descobertas.

    Um beijão pra você!

    goimar

    • 12 andreadelfuego
      03/12/2011 às 22:48

      Goimar, de vez em quando leio aquele seu post sobre o livro, só pra ficar nas nuvens. Obrigada pelas indicações, o carinho, por tudo. Beijos!

  7. 03/12/2011 às 12:17

    Os Malaquias não são Os Buendias, mas para mim estão todos ali… no meu peito, na galeria dos impossíveis e prováveis que viverão para sempre na memória afetiva da gente. Comprei o livro antes do carnaval. Terminei na terça-feira. No carro, com a vó Mara Moura (nossa própria lenda) falei sobre os Malaquias, sobre a história fantástica, sobre o real e o imaginário, sobre o peito que resgatou um monte de memórias e de saudades… Você conseguiu Déia, parabéns.

    http://a-letreira.blogspot.com/2011/03/os-malaquias.html

    • 14 andreadelfuego
      03/12/2011 às 22:52

      Letreira, “sobre o peito que resgatou um monte de memórias e de saudades” me pegou, e mais ainda você estar com a vó Mara Moura. Obrigada demais, poeta! Beijo, beijo beijo!

  8. 15 Hugo Crema
    03/12/2011 às 15:35

    A referência ao Vila-Matas foi por causa do Universo Portátil, eu disse aquilo porque tava lendo um livro dele com título parecido.

    Em relação ao livro, eu tava meio apressado ao escrever o comentário, não foi só a delicadeza que me impulsionou a no mesmo dia comprar o livro. Eu vinha maturando a idéia e não acabava de me convencer. Já convencido pelo teu texto, entrei no romance por causa da idéia, mas o que me fez gozar demais o texto foi a linguagem, o tratamento de linguagem, o jeito de falar, a prosódia, conseguiria arranjar mil palavras pra descrever o que me agradou. Antes de entrar n’Os Malaquias pensei em cem anos de solidão, mais avançado na leitura pensei em Grande Sertão, mas a grande verdade é que há um fluído poético ali, um sangue mineiro – rústico, humilde, ressabiado – e um jeito mineiro de dizer as coisas. Nunca tinha lido nada seu até aqui e espera que os outros que eu consiga encontrar sejam tão bons, tão inspiradores quanto este romance, que li três vezes em seis dias. Já disse no twitter, repito, Parabéns, Andrea, sério.

    • 16 andreadelfuego
      03/12/2011 às 23:04

      Hugo! Ah, o Vila-Matas, eis um mestre! Que delícia seu comentário, fiquei pensando se você tem algum parente mineiro, basta um para que o “rústico, humilde, ressabiado” vire um traço, principalmente o ressabiado, as vontades contidas nos vales e muita vontade da água que fica tão longe. Caso tenha vontade mesmo de ler mais, tenho outros livros, mas que preste mesmo é Os Malaquias e o Engano Seu (minicontos), sobretudo jamais gaste um centavo com o primeiro, o Minto Enquanto Posso, ruim feito a fome. Quero te agradecer a leitura generosa, a abertura para a leitura. GRACIAS!!!!!! Super beijo!

  9. 03/13/2011 às 11:52

    Tenho parente mineiro, mas um mineiro empostado, exibido. Eles são do Triângulo. Tem uma tia cujos parentes são de São Lourenço, na Mantiqueira, indo pra lá de carro passa-se por São João del Rey e Tiradente, aí é um mineiro que eu aprecio demais, até samambaia tem pra comer, ora pro nobis chama. Não entrarei no detalhe da comida mineira, menciono apenas Diamantina também como outra cidade. Tenho um poema que tem o seguinte verso meio mineiro que tenta descrever isso:

    “um pó de inconfidência atravessa o paço do governo
    filtrado amarelo pela luz que despenca
    das montanhas de casinhas brancas penduradas nas montanhas”

    Eu vou dar uma olhada, trabalho em livraria, achar livro é fácil pra mim, já estou sabendo que há contos seus em antologias várias por aí, quais você recomenda?

    E p.s.: Não fui generoso, é que o seu livro me atravessou de um jeito único, fui sincero (e meio transbordante).

    • 18 andreadelfuego
      03/14/2011 às 18:08

      Obrigada, Hugo! Sabia que tinha parente mineiro :) A comida é covardia lembrar, o que dizer da pamonha com queijo curado? Panelas e fogo, aquele conforto. Lindo seu verso, as casinhas brancas penduradas nas montanhas, como varal. A última antologia que saiu parece interessante, a Escritores Escritos, cujo tema era usar um autor morto como personagem, e está chegando em breve outra interessante que é a Geração Zero Zero organizada pelo Nelson de Oliveira. Nem bem saiu, já levamos uns socos :)

  10. 03/13/2011 às 17:05

    Adorei o relato e morro um pouco, a partir de agora e a cada instante, de curiosidade por ler esse mergulho no espelho. Obrigada por inspirar a cada texto, meu trôpego caminhar pelas letras com pretensões literárias.

    • 20 andreadelfuego
      03/14/2011 às 18:02

      Tudo tão misterioso: o processo, a teimosia, as consequências da escrita. Vamos que vamos!

  11. 03/13/2011 às 17:12

    A palavra que me vem é delicadeza. O livro é muito bonito, delicado. Aceitar a nossa herança é muito bom.
    beijo

  12. 03/15/2011 às 12:31

    Andréa (é com acento ou sem acento? fiquei em dúvida agora), já estou mexendo não só os pauzinhos, como a floresta toda, e estudo para o vestibular Unicamp deste ano. O curso? Estudos Literários! Imagine minha felicidade ao descobrir a existência desse curso… Minha família e eu vamos embora de Minas, mas eu vou na frente pra me jogar nos livros com uma lupa numa mão e uma xícara de chá na outra. Me aguarde! :)

    Outro beijo.

    • 24 andreadelfuego
      03/18/2011 às 14:58

      Amado, é com acento, eu que tenho preguiça de colocar :) Olhe, fiquei MUITO feliz com essa sua vinda, em breve estaremos tomando café por aqui numa conversa cósmica/literária. Incrível. Saravá!!!!

  13. 25 Mayara
    03/16/2011 às 00:57

    Oi, Andrea. Eu sou aquela pessoa que interagiu com você no ponto de ônibus,na usp, não sei se você se lembra… Rsss, eu não sou exatamente o tipo da pessoa que interage, sabe. Mas aquele foi um dia estranho, as coisas estavam, sucessivamente dando errado, até eu tomar um café quente respirar fundo e rumar para o ponto e te encontrar. achei muito legal. me desculpe alguma coisa, não tenho experiência em encontros assim, tão ao acaso. Mas, poxa, será que sendo vizinhas nunca mais vamos nos encontrar?? Ah, ficaria triste. Bem, espero que você esteja se dando bem com o curso, deve ser incrível!
    Me desculpe usar o teu espaço do blog pra interagir de novo. Li Os Malaquias, e bem, é lindo. Eu tenho uma relação especial com a literatura latino americana, Cem anos de solidão é a minha casa. o lugar em que mais me sinto a vontade no mundo. de verdade. e Carlos Fuentes com Aura e os contos são pura pura fascinação. Só digo pra, talvez ficar fácil de ver o quanto gostei do teu livro, realismo fantástico que escorre pelos dedos, olhos, poros. Ele é um comodozinho de mim.
    Enfim, teu livro é lindo, achei incrível te encontrar aquele dia… me email tá aí.
    Um beijo e boa sorte com tudo. :)

    • 26 andreadelfuego
      03/18/2011 às 15:11

      Mayara, sua luz salvou aquele dia! Estou ainda em adaptação com a usp, parece que estou com uma prótese, sei lá, que coloquei dentadura, rs. Claro que vamos nos encontrar, estou lá às terças e quintas à tarde, e tu? Vamos tomar um café lá na letras!!! Eu fiquei tímida de te perguntar qual livro havia lido, adorei saber agora. Até já, querida e MUITA sorte procê na Letras, vamos nos falando. Beijos!

  14. 27 Mayara
    03/20/2011 às 01:25

    Aaaah, Andréa, fico feliz que nos salvamos aquele dia. Achei incrível te encontrar e, num impulso, conversarmos. voltei sorrindo pra casa, o que parecia impossível depois de um dia daqueles. Sabe, também estou em processo da adaptação com tudo… eu me sinto a prótese, ainda tentando achar o meu lugar. Seria mesmo ótimo tomar um café, estou lá de segunda a quinta, mas meu curso é de manhã. Você sai às 18h? posso te encontrar numa boa, estou lá por perto. Que tal terça?
    Um beijo e boa sorte pra nós! :)

    • 28 andreadelfuego
      05/09/2011 às 15:34

      Mayara de Jesus! A essa altura você já deve ter desistido de mim. Eu saio às 18h na quarta e na terça, mas chego às 13h30 mais ou menos. Mas a gente vai se trombar naquele ponto de ônibus já, já. Beijo, beijo,!!!

  15. 03/25/2011 às 15:09

    Que delícia ler o making off do teu livro, entender teus caminhos, ver toda a tua humildade e perseverança, e como chegou a esse primor de trabalho. Parabéns, querida.

  16. 03/28/2011 às 18:22

    Adorei a atmosfera do livro e depois que terminei tive a impressão de imortalidade, sempre estarei aqui entre as frestas de alguma coisa, seja ela animada ou inanimada.

    um super beijo

    • 32 andreadelfuego
      05/09/2011 às 15:31

      Barbieri, escritora vermelho-sangue, é muito bom ouvir suas palavras. Também estou te acompanhando. Beijos!

  17. 04/18/2011 às 18:54

    Com tanto ariano borbulhando em abril, perdi vários pedaços de bolo e goles de champanhe, inclusive os da tua festa vermelha, do fogo. Meu abraço superapertado e um beijo na bochecha. Adoro-te! Tudo de melhor! :)

    P.S: saudade e mais saudade, que vou jogar na manteiga quente pra ver se fica saborosa.
    P.S 2: alguma previsão para o lançamento de outro filho? Tô aqui, relendo a série vermelho-delícia.

    • 34 andreadelfuego
      05/09/2011 às 15:29

      Amado, eu li sua mensagem há tempos e guardei pra responder bem bonitinho e olhe o tanto de tempo que passou. Desculpe-me o silêncio. Bem atrasado, feliz novo ciclo pra ti também, ariano! Fogo e mais fogo para cozinhar nossos textos de ovos. P.S: terminei um romance, por isso a ausência no blog, estava concentrada, agora começa a fase da limpeza do texto, aquela coisa mais fina. Trilhões de beijos!

  18. 05/05/2011 às 02:10

    Andrea, tudo bem?
    Estou sentindo muito a sua falta aqui no blog.
    Um beijo,

    • 36 andreadelfuego
      05/09/2011 às 15:25

      Querida, obrigada pela bronca, tô precisando :) Pior que tenho vários posts guardados no rascunho. Vou melhorar isso. Beijooos!


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